Perguntas e Respostas

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  1. Os meninos com Perturbação do Espectro do Autismo poderão falar bem?

R: De acordo com a 5ª versão do Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais – DSM-5, a perturbação do espectro do autismo (PEA) é caracterizada pela presença de défices na comunicação e interacção social ocorrendo em diversos contextos, associados a interesses e comportamentos restritos e repetitivos. Tal como se verifica noutras perturbações do neurodesenvolvimento, a ocorrência concomitante de outras patologias é frequente, nomeadamente de Perturbações da linguagem. Desta forma, embora seja frequente que crianças com PEA apresentem também Perturbação da Linguagem, é realmente possível que uma criança com PEA possa falar bem.

 

  1. Os meninos com a síndrome do X frágil poderão adquirir competências matemáticas convencionais para a idade?

R: Os meninos com síndrome do X-frágil têm, sob o ponto de vista neurodesenvolvimental, uma Perturbação do desenvolvimento intelectual. O seu desempenho cognitivo está, portanto, necessariamente comprometido, em maior ou menor grau. Embora em casos mais ligeiros e mediante uma estimulação precoce adequada, os pré-requisitos da matemática possam ser adquiridos em idade expectável, um menino com síndrome do X-frágil não poderá ter competências convencionais para a idade durante todo o seu percurso académico, dado que as competências cognitivas estão, por definição, comprometidas.

 

  1. Os meninos com a Perturbação de Défice de Atenção e Hiperactividade têm, invariavelmente, insucesso escolar?

R: Não. Dependendo da gravidade da Perturbação de défice de atenção e hiperactividade (PDAH) bem como de outros factores, nomeadamente do nível cognitivo, crianças com PDAH podem ter sucesso académico. Por outro lado, mesmo em muitas das situações em que a patologia é diagnosticada em contexto de dificuldades de aprendizagem, mediante uma abordagem terapêutica adequada, farmacológica e não farmacológica, é possível um desempenho académico bem-sucedido.

 

  1. O isolamento aos sete anos de idade está sempre relacionado com uma Perturbação do Espectro do Autismo?

R: Não. Existem diversas causas para uma criança de 7 anos manifestar isolamento social. Se associado a interesses e comportamentos restritos e repetitivos, poderá, efectivamente, tratar-se de uma Perturbação do espectro do autismo. No entanto, o isolamento poderá ser uma manifestação de outras patologias, nomeadamente de índole depressiva. Para um diagnóstico correcto, neste caso como em qualquer outro em Medicina, o sintoma tem que ser contextualizado, relacionado com a presença ou ausência de outros sintomas. Nesta circunstância haveria que inquirir acerca de outros aspectos nomeadamente distúrbio do sono, labilidade emocional, irritabilidade, alteração do apetite e desempenho académico. Apenas mediante a elaboração de um perfil do neurodesenvolvimento e do comportamento se poderá estabelecer um (ou mais) diagnóstico(s) correcto(s).

 

  1. Qual a intervenção recomendada para as Perturbações de Escoriação, designadamente o arrancar as peles à volta dos dedos?

R: A este nível a evidência científica ainda é escassa, sendo necessários mais estudos científicos controlados. A terapia cognitivo-comportamental é inequivocamente benéfica. A nível farmacológico, os fármacos mais utilizados têm sido os inibidores selectivos da recaptação da serotonina (nomeadamente a fluoxetina, a fluvoxamina e o escitalopram), mas diversos estudos referem o potencial benefício da N-acetil-cisteína. A risperidona tem sido também utilizada com sucesso em alguns casos.

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